Hambúger de Cajú
Fonte: www.opovo.com.br (em 21/09/06)
O bagaço de caju, descartado pelas indústrias, é a principal matéria-prima de um hambúrguer rico em fibras criado por alunos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga. O produto, de alto valor nutritivo, tem custo de produção menor que os hambúrgueres do tipo light produzidos com proteína de soja.
O estudante Rubem Fernando dos Anjos, um dos participantes do projeto, conta que a idéia de aproveitar a fibra de caju surgiu em um trabalho da disciplina de Planejamento e Projetos, na FZEA. "Embora a castanha da fruta seja exportada para o Exterior e a polpa aproveitada nas indústrias, a fibra é descartada no processamento", explica. "No Nordeste brasileiro, onde há grandes cultivos de caju, as fibras só servem para a produção artesanal de doces ou como ração animal".
O processo de produção é semelhante ao dos hambúrgueres comuns. Após serem descartadas, as fibras devem ser imediatamente resfriadas e preparadas para uso por meio de um processo chamado branqueamento. Neste, o bagaço é cozido em água por alguns minutos para eliminar odores e microorganismos e impedir a ação das enzimas presentes na fruta, para evitar que provoquem oxidação e escurecimento das fibras.
A receita de hambúrguer desenvolvida na FZEA utiliza no mínimo 60% de fibra de caju, além de queijo, proteína de soja isolada, condimentos e água. "O branqueamento também retira o sabor e os odores fortes do caju", enfatiza o pesquisador. Rubem aponta que uma das vantagens do produto é o baixo custo de produção. "A matéria-prima é um resíduo das indústrias de polpa e suco de caju, muitas vezes entregue por estas empresas sem custo algum", afirma.
O alunos criaram o projeto de uma empresa, a "Cajubrás", para viabilizar parcerias que assegurem a continuidade das pesquisas e também tornem possível a industrialização do produto. Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no site br.geocities.com/cajubras. (Agência USP)